Assim decide o Tribunal de Contas da União

Veja o posicionamento do TCU sobre alguns temas de interesse do controle cidadão Leia Mais...


Assim decidem os Tribunais de Contas do Brasil.

Veja como decide os demais Tribunais de Contas do Brasil sobre alguns temas de interesse do controle cidadão. Leia Mais...
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As pilastras do Tribunal de Contas.

A primeira fumaça acerca da criação dos Tribunais de Contas no Brasil deu-se nos idos de 1680 quando a coroa portuguesa criou as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro.

Com o advento da Independência do Brasil fora criado o Tribunal do Tesouro Nacional (Constituição Monárquica 1824), todavia nunca instalado. Somente com a Proclamação da República (1889) durante o governo provisório de Marechal Deodoro da Fonseca e sob a orientação de Rui Barbosa (Ministro da Fazenda), foi promulgado o Decreto nº 966-A de 01 de Novembro de 1890, criando o Tribunal de Contas da União. O TCU alçou nível constitucional na Carta Magna de 1891 e definitivamente instalado em 1893.

No Maranhão, o interventor federal Saturnino Bello instalou o Tribunal de Contas do Estado criado por força do Decreto-Lei nº 134, de 30 de Dezembro de 1946. Em 1980, o Governador João Castelo criou o Conselho de Contas dos Municípios que depois veio a se transformar no Tribunal de Contas dos Municípios extinto pela Assembleia Legislativa em 1992.

Há exatos 10 anos tomaram posse de seus cargos os primeiros Analistas, Técnicos e Auxiliares de Controle Externo (atual nomenclatura), em suas diversas especialidades do conhecimento humano. Neste mesmo período de tempo não somente o corpo técnico foi renovado; a cúpula do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão foi oxigenada com o ingresso dos Conselheiros Edmar Cutrim, Jorge Pavão e Caldas Furtado, e dos Conselheiros-Substitutos Antônio Blecaute, Melquezedeque Nava e Osmário Guimarães e recentemente tomaram posse os Procuradores de Contas (Ministério Público) Paulo Reis, Jairo Cavalcante, Flávia Gonzalez e Douglas Silva. Todos se juntaram aos já experientes Conselheiros Raimundo Oliveira, Álvaro César, Nonato Lago e Yedo Lobão.

Talvez 10 anos seja muito tempo para uns, pouco para outros, mas ao longo deste período, muitos avanços são notados no TCE/MA. Muito embora, ainda focado em auditorias de papeis, salta aos olhos sua atuação. Há 10 anos o TCE/MA escondia-se em um prédio emprestado no centro velho da cidade e espremia-se em um outro alugado no São Francisco, onde os primeiros que lá chegaram disputavam além das velhas escrivaninhas com gavetas empenadas e sem chaves, os poucos ventiladores existentes; a disputa segunda era por um lugar perto da janela, mas que fosse longe do sol e da chuva. Muito pouco se ouvia falar de Tribunal de Contas.

Como não dispunha de espaço físico para todos o expediente era dividido em dois períodos, de modo que foi necessário a criação de um código de conduta (não escrito) entre seus analistas: o colega que ocupava a escrivaninha pela manhã também tinha o direito de ocupar a primeira gaveta com seus apetrechos e o colega da tarde por conseguinte, ocupava a segunda gaveta. No quanto andar, tinha uma cozinha de onde saiam desde o cheiro do café até o cheiro das sardinhas esquentadas ao óleo, passando pelo cheiro dos ovos fritos e dos bifes de carne. Quando não muito os banheiros entupiam, ai era uma sebereba de odores. Agora, tudo isso a pouco metros do local onde respeitados analistas auditavam as contas públicas de todo o Estado. Era de fato um local surreal.

Naquele prédio o mofo era dominante; os andares eram entrecortados por estantes do tipo prateleiras, todas empenadas e algumas amarradas com condões para que não desabassem. No chão viam-se amontoados de pastas do tipo AZ: pretas, imundas, fedorentas; seus conteúdos: rasgados, amarelados, embolorados, furados por traças; não raro encontrávamos dessecados nos empenhos, grilos, baratas, lacraias e aranhas. Chegava a dar inveja aos estudantes de Biologia, tal era a perfeição deste dessecamento. Ao fim do mês percebíamos pouco mais de R$ 600,00 bruto! e ainda se descontavam o FEPA, o FUNBEM, o vale-transporte, e de alguns a parcela do Bem-Fácil.

Ao longo deste tempo, outros concursos públicos de inquestionável lisura foram realizados; um palácio foi construído (talvez o termo palácio não lhe seja muito bem afeito, em razão da falta de um elemento que lhe caracteriza, a suntuosidade); planos e planos de cargos e vencimentos visando a valorização de seus servidores foram desenhados (e ainda precisamos desenhar outros tantos). Aos poucos as competências internas foram (e são) reconhecidas e galgam cargos e funções, não mais sendo necessário a vinda de técnicos de outros órgãos. Neste mesmo período de tempo nenhuma conduta desabonadora foi atribuída a seus Analistas. A sociedade tem hoje um Tribunal de Contas atuante, sendo uma fonte de consulta nacional, que antes demorava longos anos para cumprir seu mister e hoje pouco mais de alguns meses são o bastante para digerir sua missão constitucional. Neste início de ano, já se encontram auditadas as contas do exercício anterior de todos os órgãos públicos sob sua jurisdição.

De seu quadro de pessoal, já afloraram Secretários Municipais e Estadual, Controladores Públicos, profissionais técnicos que atuam nas mais diversas áreas, professores de universidades, consultores, etc.

Ainda porém, é verdade, tem-se imperfeições de ordem administrativa. Necessitamos urgentemente de uma política remuneratória compatível com as responsabilidades assumidas por seus Analistas, assim como, de outra que valorize suas competências internas de modo a garantir a permanência na casa de honrosas cabeças, tão cobiçadas por diversos outros órgãos.

De mais longe já viemos e para aqueles que pensam que o melhor é acabar com os Tribunais de Contas lembrem-se que o modo mais fácil de se avaliar a necessidade deste tão importante órgão de controle é exatamente imaginar sua falta. No paraíso, por um esquecimento divino, o Criador, por um segundo, deixou de controlar suas criaturas, e o pagamento foi-lhe muito caro.

Suas verdadeiras pilastras são o seu capital intelectual. Parabéns a todos que integram o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Da cúpula à copa.


Emílio Bandeira Lima
informacao@controlecidadao.com.br
Celular: (98) 8115-0147


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